18/01
8h30 já estávamos em Rio Gallegos e em 8h50 em Tierra del Fuego, há 567km de Ushuaia. E foi a partir daí que a viagem começou a se tornar muito cansativa. Perdemos umas 2 horas na aduana do Chile com todas as burocracias de saída da Argentina para posterior entrada no território chileno, além da apresentação de toda a documentação do veículo. Essa burocracia no Chile se deve ao fato deste país não ser integrante do Mercosul. O acesso à Argentina e Uruguai não são tão desgastantes.
8h30 já estávamos em Rio Gallegos e em 8h50 em Tierra del Fuego, há 567km de Ushuaia. E foi a partir daí que a viagem começou a se tornar muito cansativa. Perdemos umas 2 horas na aduana do Chile com todas as burocracias de saída da Argentina para posterior entrada no território chileno, além da apresentação de toda a documentação do veículo. Essa burocracia no Chile se deve ao fato deste país não ser integrante do Mercosul. O acesso à Argentina e Uruguai não são tão desgastantes.
No Chile percorremos aproximadamente 100km, atravessamos de balsa no Estrecho Magallanes (15 minutos, cerca de 4,3km), onde tivemos um momento muito emocionante: Golfinhos nos acompanharam por um trecho e deram um show! Pena na emoção do momento não conseguir filmar. Na memória ficou guardado. Em compensação, salvei algumas fotos. Lindo! Lindo! Lindo!
Após a travessia de balsa, percorremos mais alguns quilometros em território chileno, e foi neste trecho que percorremos em estrada de ripio, que se trata de uma mistura de solo com cascalho rolado cujas pedras variam deste o tamanho de uma bola de gude ao de uma bola de pingue pongue. A estrada estava bastante compactada, sendo possível desenvolver velocidade de até 120km/h, melhor que muitas estradas asfaltadas. Nos pontos em que esse cascalho não se encontra compactado, torna-se extremamente perigoso, sobretudo nas frenagens, até mesmo porque nos dois lados da estrada possui valetas de desnível considerável. Foi neste trecho que sofremos nosso primeiro incidente, perdemos o controle da direção, caímos em uma dessas valetas e tivemos um pneu furado, sem danos maiores.
Encaramos novamente a aduana Chilena, porém para saída e novamente acesso a Argentina. Em território argentino, foram 300km aproximadamente até Ushuaia. Destes 300km, notamos a diferença na paisagem percorridos uns 200km, quando começamos a avistar as cordilheiras com vegetação de maior corte, gelo e muitos lagos. Passamos pelo Lago Fagnano com águas bem azuis e beleza deslumbrante e também pelo Lago Escondido.
Também na chegada em Ushuaia vimos uma parte da vegetação bem seca, árvores com galhos quebradiços e impressão de que a floresta estava morta ou havia sido desmatada.
No último trecho, a estrada era bem sinuosa, de onde avistávamos cada vez mais perto os picos nevados e paisagem tipicamente andina: muita água descendo pelas encostas.
O pior trecho de estrada que percorremos. Em compensação tiramos muitas fotos.
Nesse ponto a temperatura contrastava muito com a temperatura das estepes patagônicas, em questão de poucos kilômetros passamos de um calor escaldante para um frio que incomodava.
Ao chegar em Ushuaia, cerca de 19hrs, procuramos por um local para nos hospedarmos e nos aquecermos. Por sorte, na mesma rua, haviam cerca de 4 hostels com propostas semelhantes.
“Holla! Necessitamos de una habitación para duas personas...”
“Pode falar em português mesmo!” – disse o recepcionista do Hostel El Refugio Del Mochileiro, um brasileiro, que nos recebeu muito bem e nos deu algumas dicas turísticas. Carioca, está em Ushuaia desde 1998, foi a passeio, gostou e ficou.
Nos hospedamos em um quarto individual, muito confortável e com aquecedor. Em Ushuaia em todos as internas há aquecedores, pois o frio na cidade é congelante. Neste hostel, nos chamou a atenção a grande quantidade de israelenses. (Lembrando que o indivíduo que colocou fogo em Torres Del Paine - Patagônia Chilena - era um israelense). Conversamos com um deles que falava um português arrastado: nos contou ter vivido e trabalhado na Angola por um tempo. Thales não perdeu a oportunidade e brincou dizendo que quem causou o fogo foi um palestino. Muitos risos!
No dia em que chegamos, organizamos as coisas no quarto, tomamos um banho e corremos para a cozinha. Thales improvisou um macarrão com creme de cebola divino! Estávamos com muita fome. Dormimos cedo, pois queríamos aproveitar bem o dia seguinte.
19/01
Após aquele banho caprichado, como de praxe, saímos em busca de um centro de informações turísticas, onde carimbamos nosso passaporte, registrando nossa passagem pelo fim do mundo. Êêê!!!
Na cidade de Ushuaia o diferencial está nos seus parques, suas águas e fauna, havendo museu, praças e outros pontos, como na maioria dos lugares. Para todos, acreditamos haver também a satisfação pessoal de conseguir chegar ao fim do mundo!
Na saída do centro de informações, encontramos Egidio, um chileno, também hospedado no mesmo hostel que a gente e o convidamos para nos fazer companhia no passeio ao Parque Nacional Fin del Mundo. Fomos conversando e arranhando no portunhol. No meio do caminho um rapaz pediu carona e num gesto altruísta paramos. Era um argentino. Mal sabíamos o que estava por vir, e que ele nos salvaria 70 pesos. Foi assim: Egidio disse que os argentinos possuíam desconto no acesso ao parque e sugeriu que o argentino assumisse a direção do carro. Concordamos, sentamos no banco de trás e ficamos calados em todo o tempo. “São todos argentinos?” – perguntou a moça da portaria. “Si! Si! De Rosario ” – disse o argentino. “Hay documentos que se puede comprovar?” “Si! Si” – Por sorte ela dispensou. Trocaram mais algumas palavras, continuamos calados. E detalhe: Eu (Camila) com a blusa do Brasil, todos em um carro brasileiro, rs... No final deu tudo certo, demos muitas risadas, agradecemos ao argentino que seguiu seu passeio à pé. E nós, continuamos a percorrer pelo parque de carro, parando em alguns pontos para tirar fotos.
Foi muito agradável o passeio e a companhia do nosso colega chileno.
Muito paciente em compreender nossas falas, nos mostrou um pouco do Chile, falando de sua vida e interessado em nos conhecer e ao Brasil. Ensinamos algumas palavras em português e aprendemos muito também do espanhol e da diferença do espanhol chileno para argentino.
Falando em conhecer as pessoas, esse está sendo o diferencial de nossa viagem: A todo momento interagimos com pessoas diferentes, de diferentes nacionalidades e costumes. Mas então, vemos que todos somos iguais!
Nos despedimos do chileno e fomos à agência de turismo comprar as passagens para o passeio de barco. 300 pesos cada passagem, sendo 5 horas de passeio marítimo. Visitamos a Ilha Alicia, onde vimos os lobos marinhos de dois pelos; Ilha dos Pássaros, onde vimos as gaivotas cocineras, Farol Fin Del Mundo e Ilha Montillo, onde vimos os pinguins. O passeio foi feito no Catamaran Elisabeta.
Falando em conhecer as pessoas, esse está sendo o diferencial de nossa viagem: A todo momento interagimos com pessoas diferentes, de diferentes nacionalidades e costumes. Mas então, vemos que todos somos iguais!
Nos despedimos do chileno e fomos à agência de turismo comprar as passagens para o passeio de barco. 300 pesos cada passagem, sendo 5 horas de passeio marítimo. Visitamos a Ilha Alicia, onde vimos os lobos marinhos de dois pelos; Ilha dos Pássaros, onde vimos as gaivotas cocineras, Farol Fin Del Mundo e Ilha Montillo, onde vimos os pinguins. O passeio foi feito no Catamaran Elisabeta.
A navegação pelo Canal Beagle é linda como toda a região e em determinado momento o vento frio cortante impôs aos passageiros que se encontravam no deck superior que se reconhecem à cabine. Nós resistimos bravamente ao vento, acompanhado de uma “jubilada” senhora argentina (senhora aposentada) e uma família de brasileiros. A conversa adquiriu um tom político porém muito saudável. Daí passamos pelos movimentos sindicais à bolha imobiliária e expressões que são usadas aqui e acolá com interpretações distintas nos dois idiomas, tal como a senhora jubilada na argentina (senhora aposentada) e caracterizar como esquisita uma comida, na argentina significar algo de saboroso.
A volta para Ushuaia no Catamaran nos pareceu longa, com todos os passageiros sentados na cabine, abrigados do frio intenso, alguns deles rompendo em sono profundo. Pedimos permissão a um casal argentino de meia idade, para nos sentarmos à mesa, e mais tarde constatamos que melhor lugar não haveria para sentarmo-nos:
foram muito receptivos conosco e ficamos por quase duas horas conversando sobre assuntos diversos, compartilhando fotografias. Dentre os assuntos que conversamos, nos chamaria a atenção mais tarde: Em outubro de 2011 foi aplicada uma política cambial pela presidenta Cristina Kipchner que restringia a compra de dólares por argentinos, como uma forma de evitar a evasão de divisas.
Trocamos emails, eles nos ofereceram gentilmente hospedagem para conhecermos Córdoba e nos despedimos. O dia foi maravilhosamente incrível, nos fazendo confirmar que de fato valeram os 6479 quilômetros percorridos de Minas Gerais até Ushuaia.
Voltamos para o hostel com uma fome imensa, que saciamos com o original macarrão com creme de cebola e atum para variar. Estávamos dispostos à uma noite de tango, mas ao chegarmos ao estabelecimento, desanimamos com o pouco movimento. Passamos então a noite na área social do hostel em companhia de Jorge, um simpático pernambucano recém chegado da Antártida, e Eduardo e Mayara, paulistas, recém chegados de El Chaltén – os três, mochileiros natos, cheios de histórias para contar. Brindamos um bom vinho e rimos bastante. Que noite agradável!
Acabou que conversando com o casal paulista, resolvemos antecipar nossa partida de Ushuaia rumo à El Calafate para a manhã seguinte.
20/01
Em Ushuaia amanheceu com pouco sol e muito vento. Passamos a manhã na cidade, após check out no hostel. Fomos ao borracheiro arrumar o pneu danificado na estrada de rípio do Chile e em seguida partimos por rápido passeio no centro comercial e umas comprinhas.

Seguimos rumo à El Calafate por volta das 12hrs, com distância aproximada de 750 quilômetros. O caminho de volta contemplou as mesmas aduanas, o mesmo Ferry Boat, os mesmos golfinhos (que desta vez consegui filmar, êêê!) e uma estrada de rípio indicada pelo GPS, bem pior que a que passamos na ida para Ushuaia.
A situação da estrada e o vento forte diminuíram drasticamente a autonomia do veículo: na última aduana tínhamos o ponteiro do indicador de combustível encostado no vazio e o próximo posto estava a mais de 70km. Uma família de argentinos se predispôs a nos “emprestar” combustível e nos pediu como moeda de troca um empréstimo do nosso estepe, que eles chamam de “auxilio”. Pela necessidade topamos o negócio, mas mesmo que não necessitássemos do combustível, emprestaríamos o estepe da mesma forma. A suspeita inicial foi confirmada, e o estepe do nosso carro não serviu para o Renaut deles, e então dispusemo-nos a levá-los à Rio Gallegos. A família argentina agradeceu e disseram que tentariam uma solução por lá mesmo e nós, resolvemos tentar a sorte e dissemos a eles que se nos vissem parados no acostamento, seria gentileza enorme nos prestar auxilio. Seguimos em velocidade mais baixa e por um milagre conseguimos chegar à um posto de abastecimento. Nominalmente a capacidade do tanque é de 50L, conseguimos abastecer 52L, ou seja, não havia mais combustível algum no mesmo.
Constatamos ainda um vazamento de óleo inédito, com o nível baixado ao mínimo. Sem muita coisa a fazer, completamos óleo e partimos rumo à El Calafate.
A extenuante viagem até ali não nos permitiu percorrer muitos quilômetros mais e por condições de segurança preferimos encostar o carro para descansarmos e retomarmos a viagem na manhã seguinte. Tomei um Plasil para conseguir dormir, já Thales sofreu muito o incômodo do frio, que nesta noite foi terrível.
Trocamos emails, eles nos ofereceram gentilmente hospedagem para conhecermos Córdoba e nos despedimos. O dia foi maravilhosamente incrível, nos fazendo confirmar que de fato valeram os 6479 quilômetros percorridos de Minas Gerais até Ushuaia.
Voltamos para o hostel com uma fome imensa, que saciamos com o original macarrão com creme de cebola e atum para variar. Estávamos dispostos à uma noite de tango, mas ao chegarmos ao estabelecimento, desanimamos com o pouco movimento. Passamos então a noite na área social do hostel em companhia de Jorge, um simpático pernambucano recém chegado da Antártida, e Eduardo e Mayara, paulistas, recém chegados de El Chaltén – os três, mochileiros natos, cheios de histórias para contar. Brindamos um bom vinho e rimos bastante. Que noite agradável!
Acabou que conversando com o casal paulista, resolvemos antecipar nossa partida de Ushuaia rumo à El Calafate para a manhã seguinte.
20/01
Em Ushuaia amanheceu com pouco sol e muito vento. Passamos a manhã na cidade, após check out no hostel. Fomos ao borracheiro arrumar o pneu danificado na estrada de rípio do Chile e em seguida partimos por rápido passeio no centro comercial e umas comprinhas.
Seguimos rumo à El Calafate por volta das 12hrs, com distância aproximada de 750 quilômetros. O caminho de volta contemplou as mesmas aduanas, o mesmo Ferry Boat, os mesmos golfinhos (que desta vez consegui filmar, êêê!) e uma estrada de rípio indicada pelo GPS, bem pior que a que passamos na ida para Ushuaia.
A situação da estrada e o vento forte diminuíram drasticamente a autonomia do veículo: na última aduana tínhamos o ponteiro do indicador de combustível encostado no vazio e o próximo posto estava a mais de 70km. Uma família de argentinos se predispôs a nos “emprestar” combustível e nos pediu como moeda de troca um empréstimo do nosso estepe, que eles chamam de “auxilio”. Pela necessidade topamos o negócio, mas mesmo que não necessitássemos do combustível, emprestaríamos o estepe da mesma forma. A suspeita inicial foi confirmada, e o estepe do nosso carro não serviu para o Renaut deles, e então dispusemo-nos a levá-los à Rio Gallegos. A família argentina agradeceu e disseram que tentariam uma solução por lá mesmo e nós, resolvemos tentar a sorte e dissemos a eles que se nos vissem parados no acostamento, seria gentileza enorme nos prestar auxilio. Seguimos em velocidade mais baixa e por um milagre conseguimos chegar à um posto de abastecimento. Nominalmente a capacidade do tanque é de 50L, conseguimos abastecer 52L, ou seja, não havia mais combustível algum no mesmo.
Constatamos ainda um vazamento de óleo inédito, com o nível baixado ao mínimo. Sem muita coisa a fazer, completamos óleo e partimos rumo à El Calafate.
A extenuante viagem até ali não nos permitiu percorrer muitos quilômetros mais e por condições de segurança preferimos encostar o carro para descansarmos e retomarmos a viagem na manhã seguinte. Tomei um Plasil para conseguir dormir, já Thales sofreu muito o incômodo do frio, que nesta noite foi terrível.
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