quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

El Chalten - Capital Nacional do Trekking

Tanque cheio, carro lotado, zarpamos para El Chaltén, na companhia dos nossos novos amigos. A paisagem, como a da chegada em El Calafate, era extasiante. Com o auxílio de Ramon, cinegrafista profissional, tiramos muitas fotos, algumas até mesmo taxadas como estúpidas, por quem passava na estrada e se horrorizava por câmeras postadas literalmente no meio da estrada.
 


 

Na entrada de El Chaltén passamos pelo posto de informações turísticas e ali formaram-se dois grupos: Maya e Ramon (que fariam uma trilha rápida, pois pretendiam voltar no mesmo dia para El Calafate, no último ônibus, das 19hrs) e nós dois, acompanhados por Alenah. Nos instalamos no Hostel Del Lago e preparamos nosso inédito macarrão com creme de cebola e atum. Saborosíssimo! (A fome era negra.)

Tivemos disposição, apesar de desencorajados por um casal - um brasileiro e uma argentina - de caminharmos até a Laguna Capri. A caminhada contemplava um trajeto de 7,5km somente de ida, sendo uma subida chata e cansativa. A lagoa era formada por uma água extremamente azul e limpa e ninguém arriscava banhar-se em suas águas geladas. O fundo do lago é pedregoso dificultando até mesmo molharmos os pés. A água é extremamente saborosa e na temperatura ideal para o consumo. A caminhada de volta foi mais leve, afinal, era descida, porém, os pés estava detonados.




Tirando o mascote do hostel, o restante era péssimo. Muito péssimo. Ficamos num quarto compartilhado com três israelenses barulhentos, sendo que um deles fungou, assoou o nariz e vomitou a noite inteira. Nojo!


23/01
Thales desmaiou de sono na noite anterior, mas em compensação, não dormi quase nada o que me fez amanhecer de péssimo humor. Tínhamos a intenção de ficar em El Chaltén por quatro dias, concluído que naquele hostel não passaríamos um dia a mais sequer, e o elegemos como o pior (pelo menos até então!).

Tomamos nosso desayuno, e ainda pela manhã, nos despedimos da Alenah, que seguiu para El Calafate. Mudamos da água para o vinho, e nos hospedamos no Hostel Los De Trivi, pequeno, muito limpo e aconchegante. Predominava no hostel famílias de hóspedes, um pessoal mais bem educado e que, assim como nós, gostavam de um dedo de prosa. Cozinhar neste hostel nos proporcionava momentos descontraídos, os quais aproveitávamos para praticar ao máximo o nosso espanhol.

Fato até então não narrado, mas que merece consideração, foi que emprestamos um celular para servir como despertador para Robert, um brasileiro, paulista, hospedado no mesmo hostel que nós em El Calafate. No meio da viagem demos conta que havíamos esquecido de pegá-lo. Consideramos voltar mas o telefone era demasiadamente antigo, e a não ser pelos contatos salvos na agenda, não pagaria nem mesmo o combustível. No caminho, de El Calafate à El Chaltén, Maya, que neste momento ainda se encontrava conosco, sugeriu enviá-lo através de um coletivo quando regressasse à El Calafate. Certo foi que pela dificuldade de comunicação (internet lenta e não dispúnhamos de telefone comunicável), demos o celular como perdido quando, ao realizar o check in no Hostel Los De Trivi, recebemos surpreendentemente em mãos o telefone do Thales, com um gentil bilhete, assinado por Robert: “Ei Brasil!”. Robert nos localizou, graças ao post que deixei no facebook de Maya, informando que nos hospedaríamos neste hostel. De qualquer forma, consideramos muita gentileza de sua parte, e ficamos imensamente gratos.

Acomodamos nossas bagagens, compramos uma Quilmes para refrescarmo-nos e seguimos rumo à Laguna de Los Três, um pouco na expectativa de reencontrar nosso companheiro Robert, que também seguira para lá.


 

A caminhada até a Laguna de Los Três, iniciada a partir do Hotel El Pilar, por ser dividida em duas fases: uma longa porém sem grandes variações altimétricas, margeando um rio de águas cristalinas e um bosque com trilhas bem demarcadas. A segunda parte, amigos, contempla uma trilha com ascendência quase vertical, muitas pedras soltas, sob um sol escaldante.



Perdemos as contas da quantidade de cumprimentos “Holla” (inclusive,da próxima vez vamos até silcar uma camisa com essa saudação) e das expressões de incentivo dos que regressavam, dizendo faltar pouco e que o visual realmente vale à pena. Pensei em desistir no meio do caminho, pois estava com duas bolhas que muito me incomodavam e minha falta de ar e cansaço estavam incontroláveis.

 
Thales diminuiu o ritmo para me acompanhar, tomei bastante água até finalmente chegarmos. O visual realmente vale à pena mas a satisfação de ultrapassar nosso limite físico era ainda maior. E que vista!!!!!!








No percurso vimos crianças, adolescentes e surpreendentemente, idosos super bem dispostos. O caminho de volta, como de praxe, foi mais tranquilo. A caminhada totalizou 25 quilômetros de ida e volta, que fizemos, incluindo o tempo que paramos para descansar e para contemplar a paisagem em 8h30.




Chegamos ao hostel às 22hrs e o sol ainda não havia se posto. Nesta noite, resolvemos investir no hot dog, com nos demos um merecido prêmio: duas Quilmes estupidamente geladas. Um brinde à nós! Por volta da 00h30, fomos nos deitar, e prometemo-nos um dia seguinte de folga, descanso, sombra e água fresca.

24/01

Acordamos tarde, tomamos um café na “panaderia” (padaria) e fomos às compras dos ingredientes para o nosso almoço: Bife, arroz e salada de tomate e pimentões. Comidinha bem temperada e que acompanhado por uma cerveja se transformou num catalisador para um sono à tarde. Acordamos por volta das 18hrs e seguimos por um passeio pelo Lago Del Desierto, 70km de rípio. Quase ao chegarmos, tivemos um pneu furado. Tal desprazer somado à uma paisagem não tão deslumbrante, nos fez regressar pouco tempo depois. Chegando em casa, nos apressamos em fazer nosso jantar e fomos dormir, pois na manhã seguinte faríamos uma caminhada com escalada no gelo.
25/01

Chegado o grande dia. Havíamos contratado um passeio exclusivo da agência Patagônia Turismo, o Ice Trek Pro, que se trata de uma caminhada no gelo seguido de escalada, com duração de 9hrs, incluindo o tempo da navegação até o Glaciar Viedma.

O embarque no barco foi às 8h45, pontualmente, e fomos munidos de algumas guloseimas, água, agasalhos, toucas e luvas. Esperávamos um frio imenso. O desembarque foi em um porto natural, após 1h de navegação. Fomos orientados ao uso de botas apropriadas ao trekking, e sob a rocha calçamos os grampones e nos vestimos com o cinto para escalada e o capacete. Também recebemos as instruções de segurança e damos início à nossa grande aventura.

Caminhar sob o gelo no início é difícil. Os grampos não possibilitam que os pés se flexionem, e quanto maior a superfície de contato maior é a aderência dos grampones sob o gelo evitando nossa queda e escorregamento.

Visualmente, o gelo apresenta um aspecto bem granulado, como daqueles que compramos em postos de gasolina e supermercados. Cerca de 20 a 30cm abaixo da superfície, este apresenta consistência bastante sólida e coloração que, conforme a incidência da luz solar varia entre vários matizes de azul.

Há de se observar a técnica para se locomover no gelo, tanto em aclives quanto em declives, pois um escorregamento pode ser fatal, devido as fendas existentes; e apesar de não aparecer, o gelo é extremamente cortante.

Caminhamos até o ponto determinado pelos instrutores, para a nossa escalada. A corda de segurança é fixada por meio de uma espécie de parafuso atarrachado ao gelo, que suporta cerca de 800 quilogramas. O ponto de fixação é feito no gelo sólido (abaixo da superfície granular) e deve ser constantemente monitorado pois o cisariamento pode fazer com que ele se desprenda. Para minimizar este efeito que é somado ao efeito do sol se faz uma espécie de “montinho de gelo” sobre o ponto de fixação.




O mecanismo de segurança é bem parecido com o de escalada em rochas, com um profissional fazendo a segurança de quem está escalando, através do travamento da corda por meio de rosquetes. A escalada em si foi realizada com uma espécie de um martelo, em cada uma das mãos: pontiagudo em uma de suas extremidades, que se fixava ao gelo, sendo a outra extremidade utilizada para quebrar o gelo, se fosse o caso.
Os grampones possuem dois “dentes” frontais, os quais travavam os pés no gelo, durante a escalada.

O procedimento para a escalada, corresponde a quatro movimentos básicos:
1) Movimentação do braço direito, cravando o martelo no gelo, em altura acima da cabeça, braço esticado formando um ângulo aproximado de 15º com relação a cabeça;
2) Mesmo movimento com o braço esquerdo, na mesma altura marcada pelo martelo do braço direito;
3 - 4) “Chute” com o objetivo de cravar os grampos frontais no gelo, num passo vertical não maior que 25cm, sendo primeiro o pé direito e depois o esquerdo.

Após os quatro movimentos, a pélvis sempre deve estar direcionada para a frente, mantendo as pernas esticadas. Jamais os joelhos podem ficar flexionados.

Formávamos um grupo de 13 turistas, composto por criança, jovens com o estereótipo atlético (outros nem tanto), obesa e idoso. A escalada não é algo tão trivial para um iniciante, mas acreditamos que resguardadas as limitações de cada indivíduo é acessível à todos. Vale ressaltar a importância de um acompanhamento técnico, pois fomos muito bem acessorados por uma equipe de três instrutores pacientes e bem treinados.

À medida que escalávamos, também aquecíamos nosso corpo e nos protegíamos do frio. As três horas de escalada passaram muito rápido. Após a escalada, fizemos mais caminhadas sobre o gelo do Glaciar Viedma e sob o mesmo, brindamos com um licor Scoth, resfriado pelo gelo patagônico. Tim! Tim!





Para encerrar nossa aventura, tivemos a oportunidade de adentrar uma caverna no contato entre a rocha e o gelo, que apresentava uma coloração que nunca vimos: o azul, misturado à água e à iluminação natural formava um jogo de cores deslumbrantes.

A experiência foi única e muito prazeirosa. Nenhuma foto consegue remeter a sensação que tivemos.

Voltamos para o hostel, lanchamos e ao invés de ir dormir para recuperar nossas forças, resolvemos nos despedir de El Chaltén com chave de ouro, e assistimos à um clássico Argentino: Boca e Rivier, acompanhado daquela Quilmes trincando de gelada!

Da Argentina levaremos muito mais do que recordações dos belos passeios que fizemos, das paisagens e dos bons momentos de bate papo... Levaremos saudades da cerveja que tanto adoramos e comentamos, como se pode observar em vários posts.

26/01/12

11h30 e partimos de El Chaltén. A madrugada na cidade foi de muito frio e vento. Amanheceu com muito sol, chuva fininha e vento forte e constante.

Nesta cidade passamos mais tempo que nas demais cidades visitadas. Já era planejado, pois sabíamos do trekking e tínhamos idéia do que gostaríamos de fazer por aqui. Sem falar que nos familiarizamos com a cidade, com o hostel, e nos sentimos muito em casa. Sensação de realização e paz de espírito. Um mix de vontade de ficar com saudade de casa.

El Calafate - Capital Nacional dos Glaciares

21/01
Assim que abrimos os olhos, já que dormimos no carro, nos pusemos pela estrada e pudemos vislumbrar um belo amanhecer.


Na estrada seguindo para o oeste é possível notar a mudança do perfil topográfico. Saímos de uma planície e nos deparávamos ao fundo com a Cordilheira dos Andes e seus cumes esbranquiçados pelo gelo glacial. O visual se torna extremamente interessante pois ainda assim estávamos numa espécie de deserto à uma temperatura próxima à 30oC.

Chegamos em El Calafate às 10hrs e fomos a procura de Hostel, o que não foi difícil encontrar. Procuramos também o centro de informações da cidade e algumas agências turísticas. A cidade é muito bonita, porém pequena, por isso, decidimos em ficar por lá somente 1 dia, sendo o tempo suficiente para conhecer o centro e o Parque Glaciar Perito Moreno.

Nos instalamos no hostel, almoçamos (Macarrão, com um creme que não era de cebola e sardinha. Não tinha sal e estava horrível. Mas Thales fez com amor e estávamos famintos!) e dormimos pela tarde. Acordei, tomei um banho, me arrumei e enquanto Thales despertava e também se arrumava, segui por um passeio sozinha, em busca do seu presente de aniversário. Voltei com o embrulho, Thales já me esperava para sairmos e antecipei a entrega do presente (mesmo não gostando), para não correr o risco de ter que chegar quase ao fim do mundo para trocá-lo. A camisa que escolhi serviu e ele gostou muito!

Já eram 16hrs quando resolvemos ir para o parque onde se localiza o Glaciar Perito Moreno. Fomos de carro para economizarmos o valor do translado e no meio do caminho haviam algumas pessoas pedindo carona. Pelo aperto do carro, pensamos que teríamos vaga para um ou dois, mas na impossibilidade da negativa, já que haviam três e pareciam estar juntos, remanejamos nossas bagagens e fomos todos para o parque. O trio era constituído por Maya (uma francesa), Ramon (um alemão) e Alenah (uma ucraniana). A ucraniana e a francesa falavam o espanhol, possibilitando alguma espécie de comunicação e o alemão somente o alemão e inglês. Como de costume nos encontros de multionacionalidades falamos sobre comida, música etc. e etc., no caminho de 80 quilômetros que unem o centro de El Calafate ao Glaciar Perito Moreno.

O Glaciar Perito Moreno é lindo, apresentando uma coloração azul oriunda da refração dos raios solares. O intenso calor fazia com que imensos blocos de gelo desprendessem do corpo principal, gerando um espetáculo ruidoso.
No parque há quilômetros de passarelas que delimitam os acessos defronte ao Glaciar, separados por uma vegetação. Observávamos com as câmeras sempre prontas a captar o espetáculo do desprendimento dos blocos e sempre ávidos por um momento ainda maior.

O final de tarde foi extremamente prazeroso e recebemos um convite do trio para ceiarmos juntos. Passamos no supermercado, definimos o cardápio e eles nos guiaram até o endereço do hostel. Foi hilário saber que estávamos todos hospedados no mesmo hostel. Muitos e muitos risos! A cozinha do hostel estava extremamente cheia gerando uma certa dificuldade na preparação dos pratos. Levamos quatro Quilmes e achamos o tira-gosto no mínimo inusitado: Abacate com pimentão! A conversa com Ramon era quase que inteiramente gestual com um inglês bem rudimentar, e mesmo assim, com os copos de cervejas nas mãos nos entendíamos, principalmente nos momentos de abrir as garrafas, pois não havia abridor, e no consenso ao acharmos a cerveja quente.

A preparação do jantar ficou basicamente nas mãos de Maya e o cardápio fora pescado assado, lentilhas, arroz e salada de abacate com tomates. Muito bom!!! Após ceiarmos, nos rendemos ao sono e fomos logo dormir, já que seguiríamos todos rumo à El Chalten, situado a aproxidamente 230 quilômetros.

22/01
Nos levantamos por volta das 9hrs, fizemos o check out. Ainda no hostel, alegria à primeira vista mas a decepção não demorava a chegar. Um jovem rapaz nos conduziu efusivamente ao computador para nos mostrar algo. Como viajantes que éramos e como o dito cujo sabia que seguíamos rumo à El Chaltén, pensávamos se tratar de fotos ou informações sobre o local, já que este era o tom da conversa: Neste momento, tivemos o desprazer de conhecer os “Tchutchuquinhos da Unifal” (Universidade de Alfenas)! Merece o relato pela cabeça vazia do nosso hermano brasileño. Em pensar que a criatura ainda estuda medicina. Socoooorro!

Thales havia notado que o carro começara a apresentar um vazamento de óleo e pela quilometragem também era necessário substituí-lo. Não tínhamos nos dado conta de que era pleno domingo, então apenas completamos o nível no posto de gasolina, como fizemos o resto da viagem.

Ushuaia!

18/01

8h30 já estávamos em Rio Gallegos e em 8h50 em Tierra del Fuego, há 567km de Ushuaia. E foi a partir daí que a viagem começou a se tornar muito cansativa. Perdemos umas 2 horas na aduana do Chile com todas as burocracias de saída da Argentina para posterior entrada no território chileno, além da apresentação de toda a documentação do veículo. Essa burocracia no Chile se deve ao fato deste país não ser integrante do Mercosul. O acesso à Argentina e Uruguai não são tão desgastantes.

No Chile percorremos aproximadamente 100km, atravessamos de balsa no Estrecho Magallanes (15 minutos, cerca de 4,3km), onde tivemos um momento muito emocionante: Golfinhos nos acompanharam por um trecho e deram um show! Pena na emoção do momento não conseguir filmar. Na memória ficou guardado. Em compensação, salvei algumas fotos. Lindo! Lindo! Lindo!


Após a travessia de balsa, percorremos mais alguns quilometros em território chileno, e foi neste trecho que percorremos em estrada de ripio, que se trata de uma mistura de solo com cascalho rolado cujas pedras variam deste o tamanho de uma bola de gude ao de uma bola de pingue pongue. A estrada estava bastante compactada, sendo possível desenvolver velocidade de até 120km/h, melhor que muitas estradas asfaltadas. Nos pontos em que esse cascalho não se encontra compactado, torna-se extremamente perigoso, sobretudo nas frenagens, até mesmo porque nos dois lados da estrada possui valetas de desnível considerável. Foi neste trecho que sofremos nosso primeiro incidente, perdemos o controle da direção, caímos em uma dessas valetas e tivemos um pneu furado, sem danos maiores.
Neste trecho havia muitas de ovelhas e lhamas silvestres, o que nos remeteu uma sensação bucólica.

Encaramos novamente a aduana Chilena, porém para saída e novamente acesso a Argentina. Em território argentino, foram 300km aproximadamente até Ushuaia. Destes 300km, notamos a diferença na paisagem percorridos uns 200km, quando começamos a avistar as cordilheiras com vegetação de maior corte, gelo e muitos lagos. Passamos pelo Lago Fagnano com águas bem azuis e beleza deslumbrante e também pelo Lago Escondido.
Também na chegada em Ushuaia vimos uma parte da vegetação bem seca, árvores com galhos quebradiços e impressão de que a floresta estava morta ou havia sido desmatada.

No último trecho, a estrada era bem sinuosa, de onde avistávamos cada vez mais perto os picos nevados e paisagem tipicamente andina: muita água descendo pelas encostas.
O pior trecho de estrada que percorremos. Em compensação tiramos muitas fotos.

Nesse ponto a temperatura contrastava muito com a temperatura das estepes patagônicas, em questão de poucos kilômetros passamos de um calor escaldante para um frio que incomodava.

Ao chegar em Ushuaia, cerca de 19hrs, procuramos por um local para nos hospedarmos e nos aquecermos. Por sorte, na mesma rua, haviam cerca de 4 hostels com propostas semelhantes.
“Holla! Necessitamos de una habitación para duas personas...”
“Pode falar em português mesmo!” – disse o recepcionista do Hostel El Refugio Del Mochileiro, um brasileiro, que nos recebeu muito bem e nos deu algumas dicas turísticas. Carioca, está em Ushuaia desde 1998, foi a passeio, gostou e ficou.

Nos hospedamos em um quarto individual, muito confortável e com aquecedor. Em Ushuaia em todos as internas há aquecedores, pois o frio na cidade é congelante. Neste hostel, nos chamou a atenção a grande quantidade de israelenses. (Lembrando que o indivíduo que colocou fogo em Torres Del Paine - Patagônia Chilena - era um israelense). Conversamos com um deles que falava um português arrastado: nos contou ter vivido e trabalhado na Angola por um tempo. Thales não perdeu a oportunidade e brincou dizendo que quem causou o fogo foi um palestino. Muitos risos!

No dia em que chegamos, organizamos as coisas no quarto, tomamos um banho e corremos para a cozinha. Thales improvisou um macarrão com creme de cebola divino! Estávamos com muita fome. Dormimos cedo, pois queríamos aproveitar bem o dia seguinte.

19/01

Após aquele banho caprichado, como de praxe, saímos em busca de um centro de informações turísticas, onde carimbamos nosso passaporte, registrando nossa passagem pelo fim do mundo. Êêê!!!
Na cidade de Ushuaia o diferencial está nos seus parques, suas águas e fauna, havendo museu, praças e outros pontos, como na maioria dos lugares. Para todos, acreditamos haver também a satisfação pessoal de conseguir chegar ao fim do mundo!

Na saída do centro de informações, encontramos Egidio, um chileno, também hospedado no mesmo hostel que a gente e o convidamos para nos fazer companhia no passeio ao Parque Nacional Fin del Mundo. Fomos conversando e arranhando no portunhol. No meio do caminho um rapaz pediu carona e num gesto altruísta paramos. Era um argentino. Mal sabíamos o que estava por vir, e que ele nos salvaria 70 pesos. Foi assim: Egidio disse que os argentinos possuíam desconto no acesso ao parque e sugeriu que o argentino assumisse a direção do carro. Concordamos, sentamos no banco de trás e ficamos calados em todo o tempo. “São todos argentinos?” – perguntou a moça da portaria. “Si! Si! De Rosario ” – disse o argentino. “Hay documentos que se puede comprovar?” “Si! Si” – Por sorte ela dispensou. Trocaram mais algumas palavras, continuamos calados. E detalhe: Eu (Camila) com a blusa do Brasil, todos em um carro brasileiro, rs... No final deu tudo certo, demos muitas risadas, agradecemos ao argentino que seguiu seu passeio à pé. E nós, continuamos a percorrer pelo parque de carro, parando em alguns pontos para tirar fotos.

Foi muito agradável o passeio e a companhia do nosso colega chileno.
Muito paciente em compreender nossas falas, nos mostrou um pouco do Chile, falando de sua vida e interessado em nos conhecer e ao Brasil. Ensinamos algumas palavras em português e aprendemos muito também do espanhol e da diferença do espanhol chileno para argentino.

Falando em conhecer as pessoas, esse está sendo o diferencial de nossa viagem: A todo momento interagimos com pessoas diferentes, de diferentes nacionalidades e costumes. Mas então, vemos que todos somos iguais!

Nos despedimos do chileno e fomos à agência de turismo comprar as passagens para o passeio de barco. 300 pesos cada passagem, sendo 5 horas de passeio marítimo. Visitamos a Ilha Alicia, onde vimos os lobos marinhos de dois pelos; Ilha dos Pássaros, onde vimos as gaivotas cocineras, Farol Fin Del Mundo e Ilha Montillo, onde vimos os pinguins. O passeio foi feito no Catamaran Elisabeta.

A navegação pelo Canal Beagle é linda como toda a região e em determinado momento o vento frio cortante impôs aos passageiros que se encontravam no deck superior que se reconhecem à cabine. Nós resistimos bravamente ao vento, acompanhado de uma “jubilada” senhora argentina (senhora aposentada) e uma família de brasileiros. A conversa adquiriu um tom político porém muito saudável. Daí passamos pelos movimentos sindicais à bolha imobiliária e expressões que são usadas aqui e acolá com interpretações distintas nos dois idiomas, tal como a senhora jubilada na argentina (senhora aposentada) e caracterizar como esquisita uma comida, na argentina significar algo de saboroso.

A volta para Ushuaia no Catamaran nos pareceu longa, com todos os passageiros sentados na cabine, abrigados do frio intenso, alguns deles rompendo em sono profundo. Pedimos permissão a um casal argentino de meia idade, para nos sentarmos à mesa, e mais tarde constatamos que melhor lugar não haveria para sentarmo-nos:
foram muito receptivos conosco e ficamos por quase duas horas conversando sobre assuntos diversos, compartilhando fotografias. Dentre os assuntos que conversamos, nos chamaria a atenção mais tarde: Em outubro de 2011 foi aplicada uma política cambial pela presidenta Cristina Kipchner que restringia a compra de dólares por argentinos, como uma forma de evitar a evasão de divisas.

Trocamos emails, eles nos ofereceram gentilmente hospedagem para conhecermos Córdoba e nos despedimos. O dia foi maravilhosamente incrível, nos fazendo confirmar que de fato valeram os 6479 quilômetros percorridos de Minas Gerais até Ushuaia.

Voltamos para o hostel com uma fome imensa, que saciamos com o original macarrão com creme de cebola e atum para variar. Estávamos dispostos à uma noite de tango, mas ao chegarmos ao estabelecimento, desanimamos com o pouco movimento. Passamos então a noite na área social do hostel em companhia de Jorge, um simpático pernambucano recém chegado da Antártida, e Eduardo e Mayara, paulistas, recém chegados de El Chaltén – os três, mochileiros natos, cheios de histórias para contar. Brindamos um bom vinho e rimos bastante. Que noite agradável!
Acabou que conversando com o casal paulista, resolvemos antecipar nossa partida de Ushuaia rumo à El Calafate para a manhã seguinte.

20/01

Em Ushuaia amanheceu com pouco sol e muito vento. Passamos a manhã na cidade, após check out no hostel. Fomos ao borracheiro arrumar o pneu danificado na estrada de rípio do Chile e em seguida partimos por rápido passeio no centro comercial e umas comprinhas.

Seguimos rumo à El Calafate por volta das 12hrs, com distância aproximada de 750 quilômetros. O caminho de volta contemplou as mesmas aduanas, o mesmo Ferry Boat, os mesmos golfinhos (que desta vez consegui filmar, êêê!) e uma estrada de rípio indicada pelo GPS, bem pior que a que passamos na ida para Ushuaia.

A situação da estrada e o vento forte diminuíram drasticamente a autonomia do veículo: na última aduana tínhamos o ponteiro do indicador de combustível encostado no vazio e o próximo posto estava a mais de 70km. Uma família de argentinos se predispôs a nos “emprestar” combustível e nos pediu como moeda de troca um empréstimo do nosso estepe, que eles chamam de “auxilio”. Pela necessidade topamos o negócio, mas mesmo que não necessitássemos do combustível, emprestaríamos o estepe da mesma forma. A suspeita inicial foi confirmada, e o estepe do nosso carro não serviu para o Renaut deles, e então dispusemo-nos a levá-los à Rio Gallegos. A família argentina agradeceu e disseram que tentariam uma solução por lá mesmo e nós, resolvemos tentar a sorte e dissemos a eles que se nos vissem parados no acostamento, seria gentileza enorme nos prestar auxilio. Seguimos em velocidade mais baixa e por um milagre conseguimos chegar à um posto de abastecimento. Nominalmente a capacidade do tanque é de 50L, conseguimos abastecer 52L, ou seja, não havia mais combustível algum no mesmo.
Constatamos ainda um vazamento de óleo inédito, com o nível baixado ao mínimo. Sem muita coisa a fazer, completamos óleo e partimos rumo à El Calafate.

A extenuante viagem até ali não nos permitiu percorrer muitos quilômetros mais e por condições de segurança preferimos encostar o carro para descansarmos e retomarmos a viagem na manhã seguinte. Tomei um Plasil para conseguir dormir, já Thales sofreu muito o incômodo do frio, que nesta noite foi terrível.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ushuaia! (em construção...)

Em território argentino, foram 300km aproximadamente até Ushuaia. Destes 300km, notamos a diferença na paisagem percorridos uns 200km, quando começamos a avistar as cordilheiras com vegetação de maior porte, gelo e muitos lagos. Passamos pelo Lago Fagnano com águas bem azuis e beleza deslumbrante e também pelo Lago Escondido. Também na chegada em Ushuaia vimos uma parte da vegetação bem seca, árvores com galhos quebradiços e impressão de que a floresta estava morta ou havia sido desmatada.
No último trecho, a estrada era bem sinuosa, de onde avistávamos cada vez mais perto os picos nevados e paisagem tipicamente andina: muita água descendo pelas encostas.
O pior trecho de estrada que percorremos. Em compensação tiramos muitas fotos.

Nesse ponto a temperatura contrastava muito com a temperatura das estepes patagônicas, em questão de poucos quilômetros passamos de um calor escaldante para um frio que incomodava.

Ao chegar em Ushuaia, cerca de 19hrs, procuramos por um local para nos hospedarmos e nos aquecermos. Por sorte, na mesma rua, haviam cerca de 4 hostels com propostas semelhantes.
“Holla! Necessitamos de una habitación para duas personas...”
“Pode falar em português mesmo!” – disse o recepcionista do Hostel El Refugio Del Mochileiro, um brasileiro, que nos recebeu muito bem e nos deu algumas dicas turísticas. Carioca, está em Ushuaia desde 1998, foi a passeio, gostou e ficou por lá.

Nos hospedamos em um quarto individual, muito confortável e com aquecedor. Em Ushuaia em todos os lugares internos há aquecedores, pois o frio na cidade é congelante. Neste hostel, nos chamou a atenção a grande quantidade de israelenses. (Lembrando que o indivíduo que colocou fogo em Torres Del Paine - Patagônia Chilena - era um israelense. Risos!). Conversamos com um deles que falava um português arrastado: nos contou ter vivido e trabalhado na Angola por um tempo. Thales não perdeu a oportunidade e brincou dizendo que quem causou o fogo foi um palestino. Muitos risos!

No dia em que chegamos, organizamos as coisas no quarto, tomamos um banho e corremos para a cozinha. Thales improvisou um macarrão com creme de cebola divino! Estávamos com muita fome. Dormimos cedo, pois queríamos aproveitar bem o dia seguinte.

Após aquele banho caprichado, como de praxe, saímos em busca de um centro de informações turísticas, onde carimbamos nosso passaporte, registrando nossa passagem pelo fim do mundo. Êêê!!!
Na cidade de Ushuaia o diferencial está nos seus parques, suas águas e fauna, havendo museu, praças e outros pontos, como na maioria dos lugares. Para todos, acreditamos haver também a satisfação pessoal de conseguir chegar ao fim do mundo!

Na saída do centro de informações, encontramos Egidio, um chileno, também hospedado no mesmo hostel que a gente e o convidamos para nos fazer companhia no passeio ao Parque Nacional Fin del Mundo. Fomos conversando e arranhando no portunhol. No meio do caminho um rapaz pediu carona e num gesto altruísta paramos. Era um argentino. Mal sabíamos o que estava por vir, e que ele nos salvaria 70 pesos. Foi assim: Egidio disse que os argentinos possuíam desconto no acesso ao parque e sugeriu que o argentino assumisse a direção do carro. Concordamos, sentamos no banco de trás e ficamos calados em todo o tempo. “São todos argentinos?” – perguntou a moça da portaria. “Si! Si! De Rosario ” – disse o argentino. “Hay documentos que se puede comprobar?” “Si! Si” – Por sorte ela dispensou. Trocaram mais algumas palavras, continuamos calados. E detalhe: eu (Camila) estava com a blusa do Brasil, todos em um carro brasileiro, rs... No final deu tudo certo, demos muitas risadas, agradecemos ao argentino que seguiu seu passeio à pé. E nós, continuamos a percorrer o parque de carro, parando em alguns pontos para tirar fotos.

Foi muito agradável o passeio e a companhia do nosso colega chileno. Muito paciente em compreender nossas falas, nos mostrou um pouco do Chile, falando de sua vida e interessado em nos conhecer e ao Brasil. Ensinamos algumas palavras em português e aprendemos muito também do espanhol e da diferença do espanhol chileno para o argentino.

Falando em conhecer as pessoas, esse está sendo o diferencial de nossa viagem: A todo momento interagimos com pessoas diferentes, de diferentes nacionalidades e costumes. Mas então, vemos que todos somos iguais!

Nos despedimos do chileno e fomos à agência de turismo comprar as passagens para o passeio de barco. 300 pesos cada passagem, sendo 5 horas de passeio marítimo. Visitamos a Ilha Alicia, onde vimos os lobos marinhos de dois pelos; Ilha dos Pássaros, onde vimos as gaivotas cocineras, Farol Fin Del Mundo e Ilha Montillo, onde vimos os pinguins. O passeio foi feito no Catamaran Elisabeta.

Comodoro Rivadavia, Rio Gallegos (AR) e Estrecho Magallanes (Chile)

17/01

Em 17/01, entre Tres Cerros e El Salado, vimos um lindo por do sol, céu cor de rosa, sensação de paz e consciência da perfeição divina. 21h47 e ainda não havia escurecido. Estávamos à 425km do nosso próximo destino: Rio Gallegos.



Paramos para dormir às 23h30 e seguimos às 6hrs do dia 18/01.


18/01

8h30 já estávamos em Rio Gallegos e em 8h50 em Tierra del Fuego, há 567km de Ushuaia. E foi a partir daí que a viagem começou a se tornar muito cansativa. Perdemos umas 2 horas na aduana do Chile com todas as burocracias de saída da Argentina para posterior entrada no território chileno, além da apresentação de toda a documentação do veículo. Essa burocracia no Chile se deve ao fato deste país não ser integrante do Mercosul, pois o acesso à Argentina e Uruguai não são tão desgastantes.

No Chile percorremos aproximadamente 100km, atravessamos de balsa no Estrecho Magallanes (15 minutos, cerca de 4,3km), onde tivemos um momento muito emocionante: Golfinhos nos acompanharam por um trecho e deram um show! Pena na emoção do momento não conseguir filmar, mas na memória ficou guardado. Em compensação, salvei algumas fotos. Lindo! Lindo! Lindo!

Após a travessia de balsa, percorremos mais alguns kilometros em território chileno, e foi neste trecho que percorremos em estrada de ripio, que se trata de uma mistura de solo com cascalho rolado cujas pedras variam deste o tamanho de uma bola de gude ao de uma bola de pingue pongue. A estrada estava bastante compactada, sendo possível desenvolver velocidade de até 120km/h, melhor que muitas estradas asfaltadas. Nos pontos em que esse cascalho não se encontra compactado, torna-se extremamente perigoso, sobretudo nas frenagens, até mesmo porque nos dois lados da estrada possui valetas de desnível considerável. Foi neste trecho que sofremos nosso primeiro incidente, perdemos o controle da direção, caímos em uma dessas valetas e tivemos um pneu furado, sem danos maiores.

Neste trecho havia muitas de ovelhas e lhamas silvestres, o que nos remeteu uma sensação bucólica.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Puerto Madryn - AR

15/01, domingão, 20h40 e já estávamos em Bahia Blanca. Cidade grande, que aparenta ser um pólo local. Tivemos dificuldades em abastecer o carro, e aparentemente há uma crise de desabastecimento de nafta (gasolina) na região.

Como já estávamos na estrada há um bom tempo, procuramos por um lugar para jantar, mas não tínhamos intenção de permanecer na cidade. Escolhemos o Restaurante El Chollo, ambiente agradável e bem familiar, situado na rodovia na saída da cidade. Escolhemos um prato com o nome de Filet el grillé, praticamente vencidos pelo cansaço, pois a comunicação com os garçons estava extremamente complicada. Esperávamos uma carne pelo menos bem passada, mas nos surge um prato com Costela Assada, mega gordurosa, Thales gostou, eu não. Tivemos dúvida se nosso pedido foi atendido corretamente ou se houve de fato uma falha na comunicação, mas diante da fome e sem argumentos para contestar, encaramos a empreitada!!!

Após a refeição, seguimos viagem e 30 minutos depois, sem encontrar nenhum ponto de apoio na rodovia, vimos alguns caminhões descampados à beira da estrada e aderimos a idéia.

Dormimos de 00h30 às 06h30. Thales apagou, pois assumiu ao longo do dia um percurso bem maior na direção do que eu. Por minha vez, dormi um sono leve, sempre preocupada e assustada com o barulho dos veículos que passavam em alta velocidade, com a sensação de que sempre iriam para o nosso lado. Consegui descansar pelo menos um pouco.

16/01

16/01, 6h30 e seguimos rumo à Puerto Madryn. Durante o trajeto, a mesma dificuldade de antes para abastecer, havendo em um dos postos por onde passamos, uma fila com mais de 200 automóveis. Seguimos viagem, tranquilos com aproximadamente meio tanque de gasolina, sendo o suficiente para a chegada até Puerto Madryn. Passado um tempo, contrariando a regra, logo que víamos postos sem fila, procurávamos manter o tanque sempre cheio.

12h30 em Puerto Madryn, com um visual deslumbrante de um mar bem azul e ávidos por um banho, pois estávamos há aproximadamente 34horas sem um. (Ecaaaa!) Procuramos em 4 estabelecimentos, e nos instalamos no Hotel Awaioska, por 180 pesos argentinos. Nos surpreendemos com o preço acessível contemplando quarto com suíte, cama de casal e televisão, comparado ao preço do Hostel da cidade, que sairia 20 pesos mais caro e teríamos que dormir em uma bi-cama.

A indicação deste hotel foi dada por um funcionário de uma agência de turismo, onde procurávamos um passeio de barco para vermos as baleias, mas infelizmente não haviam mais saídas para o mesmo dia. Deixamos pago e agendado para ás 8h10 do dia 17/01.

Enquanto isso, passeamos pela cidade e experimentamos a Kuilmes, lavamos roupa suja na pia do banheiro. Além da roupa, lavamos também dinheiro, no bolso de uma das bermudas que foi pendurada. Gentil e supreendentemente, um casal de argentinos foi nos devolver 90 pesos caídos na área em que deixamos a roupa secando. Ainda existem pessoas honestas neste mundo!

Fomos dormir bem cedo.

17/01, 7h, tudo pronto e organizado para o nosso check out, quando recebemos uma ligação no hotel nos informando o cancelamento do passeio, em razão da velocidade do vento estar muito alta e inapropriada para o passeio de barco. Nos encaminhamos para a agência receber o dinheiro pago (500 pesos), quando nos foi dada a possibilidade do passeio às 12hrs. Nos iludimos e resolvemos aguardar, enquanto caminhamos pela cidade e fizemos algumas compras. Como esperado, o vento não diminuiu sua velocidade e o passeio não aconteceu.

11h30 saímos da cidade rumo à Comodoro Rivadavia.

Colonia Del Sacramento - UY

14/01

Despertamos às 10hrs, quase a ponto de perder o “desayuno”, e preparamos nossa saída rumo à Colônia Del Sacramento.

Abastecemos somente o suficiente, pois a gasolina no Uruguai é muito cara. A estrada que liga Montevidéu à Colônia é pedagiada e consideramos o valor justo, pela qualidade e segurança das vias.

Por volta de 13hrs já estávamos em Colônia e por sorte, no segundo hostel visitado já conseguimos vaga, embora em quarto compartilhado. Nos hospedamos no Hostel Colonia, bem localizado, situado na principal avenida da cidade (Avenida das Flores).

Como não almoçávamos há alguns dias, resolvemos escolher algo no cardápio diferente dos lanches rápidos aos quais estávamos acostumados. Nossos pedidos foram dois pratos de pescados acompanhados com papas fritas (batatas) e purê. O prato era extremamente bem servido e chegamos a conclusão de que deveríamos ter pedido somente um. A regra destes pratos bem servidos vale para a maioria dos restaurantes no Uruguai.

De barriga cheia (beeem cheia, por sinal!), fomos conhecer o Centro Histórico. Colonia é uma cidade fundada pelos portugueses, pela sua boa localização às margens do Rio Del Plata. A cidade foi alvo de intensas disputas entre Espanha e Portugal durante muito tempo, ficando sobre a posse espanhola por meio de um Tratado de Paz.

Possui prédios característicos da época, com paredes de pedras do século retrasado, bem conservadas e outras construções com bares e restaurantes bem charmosos em suas vielas, lembrando um pouco as cidades de Ouro Preto e Mariana, porém, de porte significativamente menor.

Após o passeio pela cidade, curtimos um banho de Rio onde contemplamos o por do sol, às 21h04, exatamente.

Seguimos para o Terminal Buquebus, meio de transporte marítimo que liga Colonia Del Sacramento e Montevidéu à Buenos Aires. Tínhamos a intenção de partir de Colonia na tarde de domingo, mas nos restaram as opções: 5h30 ou 23h30. Optamos por 5h30, pois cerca de 3000km nos aguardavam até Ushuaia. Esperávamos um preço alto para a travessia, mas R$370 (por persona) foi brincadeira!

Neste dia não fomos para a balada, optamos por descansar nosso corpo para a longa estrada que nos aguardava.

15/01

15/01, 4h40 quando acordávamos assustados e atrasadíssimos para o check in que deveria ser feito no Buquebus, com 1h de antecedência ao embarque. Mas mineiro não perde o trem, nem o navio!

Satisfeitas as burocracias de carimbo de saída no passaporte e apresentação de toda a documentação, embarcamos no Buquebus rumo à Buenos Aires.

A embarcação conta com um conforto razoável e um Free Shop, onde fizemos algumas comprinhas e aproveitamos as 3hrs de viagem para dormir.

Chegamos em Buenos Aires por volta de 9h20 e atrasamos em 1h nossos relógios. Na própria estação do Buquebus fizemos o câmbio do Peso Uruguaio que nos restou e também de alguns Reais, para o Peso Argentino; abastecemos e fomos ao Carrefour comprar alimentos e o Kit de Primeiros Auxílios (como aqui é chamado o kit de primeiros socorros), a mortalha e o cambão, itens obrigatórios em veículos aqui na Argentina. Existem controvérsias nas literaturas que pesquisamos, quanto a obrigatoriedade da mortalha (ou lençol branco), que aplica a utilização deste lençol em caso de acidentes com morte ou mesmo a utilização deste como forma de sinalização em caso de emergência.

Buenos Aires foi somente passagem, seguimos rumo à Bahia Blanca, distância aproximada de 700km.

Montevidéu - UY

12/01

11h07, tudo pronto para seguirmos viagem, rumo a Montevidéu. Despedimos do camping de Punta Del Este, cidade que deixará saudades e gostinho de quiero mais, de onde levaremos excelentes recordações.

A Ruta 1 é uma ótima via de acesso, bem sinalizada e com valor de pedágio o qual consideramos justo.

13hrs quando chegamos em Montevidéu. Primeiramente fomos ao shopping em busca de sinal para internet ou mesmo um cyber. Sem sucesso. Partimos então em busca de um centro de informações turísticas, e mais uma vez fomos muito recebidos e orientados. Com alguns folhetos em mãos, seguimos em busca de vaga em hostels: um não tinha vaga, outro não parecia ser tão bom e o que gostamos, tinha vagas somente para quarto coletivo. Assumimos e optamos pelo Hostel El Viajero Down Town. Ambiente jovem, descolado, organizado e limpo. A estrutura abrange quartos individuais e coletivos, cozinha e banheiros compartilhados, sala de estar, barzinho, acesso à internet e ainda oferecia o desayuno (café da manhã).

Nos instalamos, almoçamos, descansamos um pouco e partimos por um tour na cidade pelas “ramblas”, que são vias de acesso às praias.

Chegamos na cidade com um certo receio pela informação dada por um casal de curitibanos que conhecemos em Punta Del Este, que tiveram uma impressão ruim da cidade, a qual julgaram suja e perigosa. Constatamos que o perigo se resume à região portuária e acreditamos que é como qualquer parte do Brasil e do mundo. Quanto a sujeira, não consideramos uma cidade suja, muito pelo contrário, e sim, as construções são antigas, o que pode causar essa impressão.

A cidade nos pareceu tranquila, transito fluía bem, mesmo em horários de pico e tivemos muita facilidade para estacionar o carro. Não haviam “flanelinhas” e outros desagranos encontrados nas grandes cidades. Algumas partes da “Ciudad Vieja” (Cidade Velha) nos lembra Belo Horizonte, exceto pelo número bem menor de pixações nas paredes.

Como viajamos neste mesmo dia, à noite comemos um miojo com uma deliciosa salsicha defumada, batemos um papo com um grupo de cariocas que faziam intercâmbio em Montevidéu e com um casal de argentinos que dividiram quarto conosco. Optamos por dormir cedo para aproveitar melhor o dia seguinte.

13/01

Despertamos relativamente cedo, após uma noite de calor intenso, tomamos um café da manhã caprichado, “abandonamos” o carro e resolvemos percorrer pela “Ciudad Vieja” à pé.

Conhecemos a Plaza Independência, Teatro Solis, Região Portuária, Igreja Matriz e Feira de Artesanato, compramos alguns presentes e eu (Camila) resisti bravamente à algumas tentações: Muitos acessórios e roupas com preços super em conta!

Destacamos o Teatro Solis, com a exposição que vimos: “Montevidéu Mais Cem”, que ilustrava perspectivas de estilistas e designers de vestuários que serão usados em 2111. Ao invés do estilo futurístico, as roupas apresentavam um ar nostálgico, conservando o estilo dos vestuários utilizados nas décadas de 40/50. Roupas bem armadas e luxuosas, todas as criações possuíam estória que associava a roupa à um personagem ou um tipo de personalidade, como mulher casada em época de guerra, senhora que perdeu todas as suas posses etc. O Teatro foi concebido para ser uma das maiores e melhores casas de espetáculos do mundo, e tem sua estrutura marcada por imponentes colunas de mármores e pisos revestidos com granito, com um alto pé direito; recebeu grandes personalidades, dentre elas Carlos Gardel.

Chegamos à Igreja Matriz em horário em que celebrava-se a missa na capela auxiliar. No salão principal há vários altares bem ornados, ilustrando importantes momentos bíblicos.

À tarde, aproveitamos para conhecer a Fortaleza, de onde se tem uma visão do alto da cidade (não tão alto assim, pois a cidade é toda plana) e seguimos para a Playa Pocitos, onde ficamos até o sol se por.

Ressaltamos a qualidade de vida observada na orla das praias: crianças, jovens e idosos, casais e grupo de amigos fazendo caminhadas e curtindo um bate papo. Também haviam alguns ciclistas e cães! A maioria (praticamente todas!) das pessoas portavam suas garrafas térmicas com água quente e suas cuias de mate. Sentimos vontade de experimentar, mas tivemos receio do excesso de cafeína no organismo nos deixar muito agitados.

Voltamos para o hostel afim de descansar, afinal, a noite prometia: El Pony Pisador

El Pony Pisador é um bar tradicional em Montevidéu, com duas unidades, situando-se uma delas na “Ciudad Vieja”. Nesta noite apresentou-se o cantor Koko Moreira e Banda, e esperávamos ouvir salsa e candombe (não é candomblé!), ritmo tradicional uruguaio, quando nos surpreenderam com o hit de Michel Telo, que é sensação no Uruguai. Após essa surpresa, a banda interpretou pelo menos mais umas 5 vezes a música!

A música brasileira exerce grande influência, como já comentamos, e percebemos que todos os ritmos são apreciados por aqui: Samba, pagode, sertanejo e até o axé! Por aqui ouvimos também Só pra Contrariar, Tchacabum, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo etc.

A noite em Montevidéu começa tarde. É por volta de 20h30 que o sol se põe por lá, por isso as pessoas ficam até tarde nas praias e demais locais. Logo, os shows e baladas iniciam-se depois de 1 hora da manhã, sendo o maior movimento após às 3 hrs.

Mais uma vez fomos surpreendidos positivamente. Adoramos o lugar, a alegria das pessoas e a energia da música uruguaia. Após o show iniciou-se a boate, ficamos até umas 4hrs e quando saíamos, ainda tinha gente chegando.

Uma curiosidade: Em todos os lugares que fomos, como na maioria das casas de show no Uruguai, não se cobra a entrada. Alguns poucos cobram os “cubiertos” (covers artísticos), muito em conta, levando-se em consideração a qualidade das apresentações.

Esta foi nossa última noite em Montevidéu.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Punta Del Este - UY

Saímos da Ruta 9 e pegamos acesso à Punta Del Este passando por La Barra. A chegada foi um choque de beleza: casas e prédios lindíssimos, carros caríssimos e várias pessoas colorindo o céu, com a prática do Sky Surf. O ponto não era propício ao banho de mar, pois a praia é entre cortada por pedras pontiagudas e ventos fortíssimos.

O local possui um centro comercial de luxo efervescente, contemplando bons bares e restaurantes, lojas de griffies, casas de arte etc, sendo possível observar também Ferrares, Porsches e Mercedez, transitando pelas ruas, e a julgarmos pelas placas, a maior parte dos turistas são argentinos e uruguaios, havendo também brasileiros e paraguaios.

Os nativos, bem como os turistas nos pareceram solícitos e não tivemos grandes dificuldades para buscarmos informações turísticas, haja vista que o local é o maior ponto turístico do Uruguai, atendimento não comparado com o de muitos lugares para os quais viajamos.

Ressaltamos o centro de informações turísticas de Punta Del Este, que além de informações gerais, entraram em contato com hostels e campings em busca de vagas para nos acomodarmos, e foi através deste atendimento, que nos encaminhamos para o Camping Punta Ballena, que possui uma boa estrutura. Com exceção dos banheiros e vestiários, que de 0 à 10 daríamos uma nota 4. O camping tinha tanta gente, que mais parecia um campo de refugiados. Os freqüentadores nos pareceram muito educados, sendo um ambiente bem familiar. Inclusive, famílias predominavam o ambiente.

O luxo de Punta Del Este custa caro. Uma hospedagem para casal gira em torno de $180 dólares, moeda que por sinal, é aceita em grande parte dos estabelecimentos, bem como o Real. Por uma questão econômica, optamos então por ficar no camping, pagando módicos 11,5 dólares por persona.

Já era tarde quanto chegamos ao camping. 21hrs e ainda havia claridade no céu. Nos aceleramos para montar a barraca e organizar as; coisas, para então encararmos a noite de Punta, mas tivemos algumas dificuldades na montagem da barraca.

23hrs, tudo organizado, banho tomado, partimos na expectativa de uma noche de mambo! Bastou entrar no carro para sentirmos o quanto estávamos cansados e as energias esvaídas, afinal, no mesmo dia partimos de Pelotas após uma noite pessimamente mal dormida; alcançamos o Chuí; atravessamos fronteira; tudo isso versus um calor insuportável.

Caminhamos um pouco, lanchamos e voltamos para o camping com um sono incontrolável, já às 2hrs, onde nos esperava a segunda surpresa desagradável do dia (a primeira, foi a câmera que caiu no chão e arranhou a lente. Sem palavras!) Bastou deitar no colchão para ver que estava furado. Resultado: dormimos no carro. Ahaaa, pegadinha do malandro!

11/01

Do contrário ao que temíamos, dormir no carro foi imensamente melhor do que dormir no motel em Pelotas. Apesar do aperto, nos ajeitamos e dormimos relativamente bem.

10hrs já estávamos de pé, nos organizamos e partimos. Antes de encarar a praia resolvemos nos abastecer em um supermercado em Maldonado. Curioso que ao chegar, a música que tocava era a de Michel Telo, “Ai se eu te pego”. Não tivemos dúvida da influência do Brasil neste país.

Optamos por uma alimentação mais leve e saudável e seguimos para o famoso monumento em Punta, conhecido como “Dedos do Afogado”. Muitos turistas disputam por uma foto naquele local. Dali, fomos à praia bem em frente. Que água gelaaaaada!

Temperatura ambiente agradável apesar do sol e ali, de frente para o mar, tomamos juntos nosso desayuno (café da manhã), admirando a paisagem e observando a quantidade de famílias e principalmente crianças, que alegravam o local e nos proporcionaram risadas.

Satisfeita a vontade de nos banharmos em água salgada, andamos bastante pela cidade e tiramos fotos (muitas!). Conhecemos o Porto, Farol e a Casa Pueblo; passeamos também pelo centro comercial, conhecemos praças e admiramos as construções, organização e o costume das pessoas, com seus hábitos saudáveis, que caminhavam e corriam por toda a orla e à beira da praia.

A cidade nos passou a sensação de segurança, apesar de, na nossa saída termos tido a notícia de um assalto recentemente ocorrido.

Nosso dia foi bastante agitado, mas assim conseguimos relaxar, dormimos na areia, tomamos nossa cervezinha (muy cara, por sinal!). As cervejas locais são a Pilsen e a Patrícia, comercializadas em embalagens de 960 mL. Boas cervejas, de sabor um pouco mais amargo. Opção semelhante no Brasil, seria a Stella Artois. Por aqui não encontramos cervejas brasileiras.

Voltamos para o camping às 20h30 e o sol ainda brilhava. Descansamos no colchão que conseguimos emprestado (Eba!) para mais tarde curtirmos uma noite mais caliente! (Referimos à música!)

Na região portuária é onde se concentram as maiores opções de entretenimento noturno, que variam de cassinos, restaurantes e bares que apresentam desde um clássico jazz, passando pelo rock´n roll até os ritmos brasileiros, além, claro, da música local.

Escolhemos ficar no “Mambo”, com música mais animada, e ao vivo. Demos sorte ao chegarmos cedo (00hrs), pois o local se encheu rapidamente, formando fila. Com o cardápio em mãos, a pedida foi um peixe acompanhado por amarula.

Atendimento ótimo, funcionários solícitos e a música extremamente bem selecionada. Os artistas, sempre que possível buscavam participar o público, criando um clima amistoso. Ao perguntar se haviam brasileiros entre os convidados, nos manifestamos e ao respondermos sermos de Minas Gerais, os músicos demonstraram conhecer Belo Horizonte pelo menos de nome. Fomos então homenageados com a música de Martinho da Vila, “Canta, canta, minha gente!”.

No decorrer da noite, o Brasil também foi lembrado com Jorge Bem (País Tropical), Gabriel o Pensador (2, 3, 4, 5, 6, 7, 8...) e Skank. Nos intervalos do grupo, o DJ tocou Rita Lee, Claudinho e Bochecha, Vítor e Leo, Alceu Valença etc. Viva o Brasil!que pr

Após a música ao vivo, iniciou a boate com músicas eletrônicas apresentadas por um DJ local. Curtimos mais um pouco a noite, quando às 4hrs nos deparamos com a necessidade de retornar ao camping e repousarmos, já que pretendíamos pegar estrada bem cedo, rumo à Montevidéu.

O saldo da noite? Infinitamente positivo!

Punta Del Diablo - UY



10/01, seguimos rumo à Punta Del Este, quando desviamos para conhecer Punta Del Diablo.

A praia possui potencial fantástico e consegue unir areias, pedras, ventos fortes favoráveis a esportes náuticos, gente bonita e cerveja geladíssima, porém, com uma desordem que salta aos olhos.

Em algumas ruelas foi possível constatar esgoto a céu aberto; não há uma demarcação sobre o que é rua ou estacionamento e os ciclistas e motociclistas praticamente avançam sobre os pedrestres; a limpeza pública/urbana deixa a desejar.

Quanto ao povo, não soubemos distinguir se eram nativos ou turistas, mas no foram corteses. Valeu pela visita, mas não indicaria. (Thales, 16:06)

Ainda sobre Punta Del Diablo, concordo quanto a desordem, saúde pública e a questão dos ciclistas e motociclistas, mas fiquei encantada com o lugar de público realmente bonito e descolado, predominantemente jovem. Bares, muitos bares! Me lembrou o estilo de São Tomé das Letras/MG.

O local apresenta algumas áreas de camping, pode-se observar também alguns comércios de artesanato e uma galerinha com seus violões. A noite de Punta Del Diablo deve ser incrível. Fiquei curiosa e voltaria facilmente! (Camila, 16:12)

Pé na estrada após uma cervejinha em Punta Del Diablo. Entramos na Ruta 9, com destino a Punta Del Este. Estrada muito bonita, bem conservada, porém monótona, com suas retas kilométricas, conservando um cenário parecido com o que encontramos na parte sul de Rio Grande do Sul.

Fomos alertados e por isso percorremos sempre em velocidade dentro do permitido, afim de evitar problemas com a Policia Camiñera.

A sensação térmica era de estar no deserto, e para completar o cenário, o carro começou a apresentar problema no vidro elétrico em alguns momentos, impedindo de descer o vidro no lado do motorista (o que nos motivou pensar numa aquisição futura de um carro com ar condicionado!)

Uma consideração relevante é que nas rodovias uruguaias, onde até então conhecemos e observamos, é que não existe apoio rodoviário, no que diz respeito às lanchonetes e lugares de parada, como no Brasil. Tomamos bem menos água do que gostaríamos e fomos menos ao banheiro, o que tornou a viagem mais desgastante.

Chuí - Fronteira Uruguai


10/01, 15:51, sol e calor de matar. Até o momento vivemos um dia agitadíssimo. Cruzamos a fronteira Brasil-Uruguai, trocamos o óleo do carro, fizemos o câmbio de real para Pesos Uruguaios e Dólares. Também encaramos as compras no Free Shop Uruguaio. Vale ressaltar que o Saint Honoré estava com preços mais e conta e o melhor: pagamento feito em Real na cotação de R$1,71 para perfumaria e os demais cosméticos a R$2,00.





Después, passamos pela aduana, a fim de apresentar as documentações pessoais e do carro, para assim, adentrar o território uruguaio.



Pelotas, um capítulo à parte

A impressão pela cidade foi péssima: A entrada da cidade já se faz desanimadora. Galera suspeita se esgueirando pelas ruas, avenida mal cuidada (porém, limpa, temos que admitir!).Enfim, desde o primeiro momento não tivemos empatia pelo lugar, mas clamávamos por banho!
Procuramos por uns 3 ou 4 estabelecimentos sugeridos pelo amigo GPS, mas nenhum deles nos inspirava a mínima confiança. Um motel, inclusive à beira desta mesma avenida, não possuía portão e pessoas estranhas caminhavam pelo pátio, e ao abordarmos uma dessas pessoas, que parecia ser uma funcionária, simplesmente nos ignorou; outro lugar, a direção era de um senhor conhecido como “Gaiola”. Preferimos não arriscar, rs.
Por fim, assumimos ficar num lugar menos pior: Motel São Rafael. Local péssimo a começar pelo nome: “São Rafael” para Motel? Toalhas e lençóis velhos, porém limpos. (Ufa!); televisão com imagem péssima e ar condicionado péssimo e barulhento, que não gelava nem focinho de cachorro. Pernilongo era mato! Mas o pior de tudo, foi uma espécie de toldo que se “rebelava” contra a parede com o vento constante, e por toda a noite.
Resultado: Dormimos muito mal.
Também, em Pelotas, encontramos a gasolina mais cara de todo o trajeto até então.
Pelotas não deixará saudades. Não recomendamos. (Thales, 9:46)

O caminho para Porto Alegre





15h48, 120km/h. Muito bom poder admirar a paisagem, e tamanha é a euforia e o desejo de contemplar cada paisagem e não perder nenhum detalhe. Câmera a postos!
Pelas vias por onde passamos, continuamos a observar a arquitetura e construções, por sua vez riquíssimas em detalhes.
15h57 do dia 09/01 e já estamos em território Gaúcho, em Torres, há 175 km de Porto Alegre. O calor é intenso e tudo flui bem. As águas avermelhadas de Torres nos chamou a atenção pela sua beleza e o contraste com o verde das planícies.
Para sair da “rotina musical”, começamos a ler (no caso, Thales começou a ouvir) o clássico Marley e Eu, livro emprestado por Vladimir, em Joinville. (PS.: Saudade de nossos cãezinhos!)
Bom, voltando aos detalhes, bem antes de adentrarmos o território gaúcho, foi-se possível observar a rodovia, imensas áreas verdes, muito bonitas de se ver. Modéstia à parte, tenho exercido bem o meu papel de co-piloto, acompanhando os mapas, auxiliando no cálculo de rotas a menores distâncias, programação do GPS, cálculo de despesas etc., e adorariiiia ouvir um elogio, neste momento. Mas deve estar implícito, rs.
Passamos por diversas praias, balneários dentre outros lugares com pontenciais belezas. Vontade de parar em todos, mas não podemos perder o foco no nosso objetivo final, que é chegar no FIM DO MUNDO!
Seguimos ao som de Marvin Gaye, com Let´s get it on. (Camila 16:15)

Chegada em Porto Alegre às 18h02.


Saímos de Porto Alegre com o intuito de dar uma esticada até Jaguarão. A saída de PoA foi meio tensa, pois o GPS insistia em calcular uma rota que dava uma volta de uns 250km. Demos volta por cerca de 1 hora (ao som de toda a Voz do Brasil), e graças a um senhor de extrema simpatia e presteza, conseguimos chegar à saída correta. A partir de então, resolvemos ignorar o GPS, quando descobrimos que o problema estava na configuração.


O calor estava insuportável, e às 20h08, o sol ainda brilhava intensamente. Tudo acertado, atravessamos a Ponte do Rio Guaíba e sofremos nosso “primeiro assalto”: Barbaridade, Tchê! R$8,40 de pedágio, numa estrada sem duplicação e sinalização meia boca. O jeito é engolir!

A estrada estava cheia e movimentadíssima, muitos caminhões e pedágios, até que resolvemos parar para jantar à beira da estrada. Comidinha simples, mas bem servida e temperada.
De pansa cheia, cansados e necessitados por um banho, resolvemos passar a noite em Pelotas, que no caso, merece uma postagem à parte.










domingo, 8 de janeiro de 2012

Praia do Forte - São Francisco do Sul/SC


Chegamos em Joinville às 23:04 e fomos recebidos com cervejinha gelada, fritas e lombo assado (especialidade do Vladimir!). Conversamos por algum tempo, assistimos à vídeos engraçados e fomos nos deitar por volta das 2hrs, pois pretendíamos sair bem cedo na manhã seguinte.

Às 7hrs do dia 08/01/12, despertamos ao som de Chico Buarque, tomamos café da manhã, nos arrumamos e partimos nós quatro, rumo à São Francisco do Sul, cerca de 35km de Joinville. Ao sairmos, inevitável não observar a limpeza da cidade e cortesia dos motoristas, muito diferente do padrão ao qual estamos acostumados. A cidade ainda preserva a influência da arquitetura alemã, com seus telhados bem desenhados e faixadas ornamentadas. Os canteiros das avenidas possuem jardins bem cuidados, com flores de todas as cores. De fato, a cidade faz jus ao título de “Cidade das Flores”.

Em São Francisco do Sul passamos pela praia da Enseada, destino de surfistas, que inclusive recebeu nomes do esporte em uma das etapas do Campeonato Mundial d e Surf. O sol insistia em se esconder, nos restando o Plano A: Let´s go, buteco! “Uma Original, por favor!”
Uma peculiaridade de São Francisco do Sul é a cortesia de alguns agentes de trânsito: “Tu sabes usar o pisca?” Sem falar que quase fomos multados por estacionamento irregular. “Tu sabes ler placas?”

Conhecemos também a Praia do Forte e o conceito de “casas aquário”, em cujas construções prevalecem as grandes vidraças, através das quais é possível observar até mesmo o almoço que será servido. Detalhes legais, outros nem tanto. A Praia do Forte possui uma espécie de piscina natural, de temperatura agradável e ambiente bem propício às crianças. Essas, por sinal, a grande maioria. Nesta praia degustamos “churrôôôôs” (como se é pronunciado), com a massa incrementada com banana e canela. Divino!
No retorno para Joinville e como de costume nos últimos dois dias, mais um congestionamento. Este, de 2h30m.
Chegando no AP, rodada de pizza, banho, lavagem de roupas e cama.

O que temos a dizer? Que tamanha é a nossa alegria pela oportunidade em revê-los e matar a saudade.

Foram muitas as risadas, os casos, as lembranças, os comes, os bebes...

Bom mesmo seria se pudessem nos acompanhar nesta grande aventura. Aaaaah... Mas certamente não faltarão oportunidades. Levaremos vocês em nosso coração.

Até brevito... Amamos vocês, obrigada por tudo!

Saímos de Joinville às 10:14, e bem à frente, mais um congestionamento em Tubarão, ao som de Moreira e Dicró.

(Cacá e Thales, 23:12hrs)

sábado, 7 de janeiro de 2012

Despedida de SP



Às 13h19 do dia 07 de janeiro de 2012, saímos de SP com uma imagem inesperada: trânsito tranquilo! Nos despedimos de nosso amigo Pedro que nos acompanhou até a loja Fnac, onde compramos nosso Guia 4 Rodas.

Até a próxima, amigo Pedro!

Seguimos ao som de É o Tchan! (Tenso, rs!)

(Thales, 13:28)